"Mas que queremos da vida?É a vida?
O que se procura em cada segundo para se perder em cada segundo?
O tempo, assim, de nada nos serve.
Um dia, dando por nós próprios,perguntamo-nos o que fizemos, por onde andámos, que cidades e casas percorremos, sem que uma resposta nos satisfaça.
A vida, então, limita-se a ser o que fez de nós, sem que o tenhamos desejado, e nada pode ser feito para voltar atrás, nem para restituir os passos trocados de direcção; as frases evitadas no último extremo; o olhar que se desviou quando não devia.
Ah, sim - e o amor?
É isso que queremos da vida?
É verdade: cada um dos abraços que se deram, contando cada instante;
o rosto lembrado no auge do prazer, quando um súbito sol despontados seus lábios;
os cabelos presos nas mãos, como se elas prendessem o feixe da eternidade...
Assim, a vida poderá ter valido a pena.
É o que fica: o que nos foi dado e o que damos, sem que nada nos obrigasse a dar ou a receber, o puro gesto do acaso, na mais absoluta das obrigações. Então, volto a perguntar: queoutra coisa queremos da vida?"
Nuno Judice
O que fica são esses instantes de eternidade; a partilha; o encontro; o desencontro; o conquistar de sonhos; o desafio de nos levantarmos após a queda; o deslumbramento de voltar a sonhar e de caminhar não só para a frente, mas também (e sobretudo) para dentro de nós, para dentro do Outro, percorrendo os terrenos do medo, da esperança, da autenticidade...
Nem sempre o caminho é fácil, mas apesar do intenso nevoeiro que, às vezes nos impede de ver o que se segue, devemos saber sempre porque caminhamos, porque vivemos e para onde vamos... qual é o nosso "destino"...

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