Perco-me no labirinto da mente De mil pensamentos cruzados Caminhos de mistérios, Alguns desvendados Outros, ainda obscuros Na luz difusa Dos dias futuros.
"Se o silêncio fosse dádiva As pedras seriam filósofos O mar que eloquente seria Os rios no alarido das corredeiras Gritariam ao mundo seu rumo.
Se o silêncio tivesse significado Num momento seria abstrato Noutro ainda eliptico Um tom de dor Talvez apenas um murmurio de paz.
Ah! se o silêncio tivesse odor Um cheiro de mato na noite fria Essência de rosas no seu dormir Um quê de jasmim na despedida.
Mas o silêncio é muito mais É espera no tempo O não intervir do momento Imaginar a saudade Falar sem dizer Ouvir o que não pode ser dito E calar Quando nada mais Há para se dizer."
~ Almir/Capthor ~ ( Mais um Maravilhoso Presente da Soêmia )
Gostaria de ter mais tempo para estar em silêncio e poder ouvir tudo o que ele tem para me dizer. Muitas são as respostas que procuro...sei que elas estão dentro de mim. Sei mas não as ouço ou será que não as quero ouvir?
"Quero que gostes de Pina Baush, ou até já nem gostes, queiras mais queiras diferente; que gostes da cor e do risco forte de Miró e do canto desiludido e fundo de Ferré; quero que aprecies os cheiros sensíveis da eternidade do grande bruto grande e do pequeno sensível e pequeno; quero que mores nas páginas da Photo e que, sendo um modelo de virtudes representes a cortesã mais lassa para mim; quero-te com mãos de pedra e de veludo; quero que ames o chique e a Serra d'Aire - mais o safari que a recepção, quero que mores e sofras nas páginas de Guido Crepax e que te irrites com a perfeição absoluta de um retrato de Medina quero que, se possível vivas dentro do anúncio do Martini felina e ondulante numa ilha tropical quero que sejas capaz de divertir-te, de soltar uma ampla gargalhada, ante o espectáculo ridículo e obsceno de um homem de Quinhentos a quem atribuíssem um número de contribuinte quero que ames o longe e a miragem, como o Régio e que sejas louca e sábia que tenhas lábios e mordas, língua e sorvas, sexo e sexes, salto e salto, riso e rias, sorvedouro inteiro de vida, arrepio de garça, sacudir de cisne, passos de corsa, graça de arlequim, pose de Diva, corpo de areia e luz. E quero que me dês, me dês muito, que me dês tudo, e que abras as janelas de par em par ao Tejo e fecundes um poema em cada gesto e voes como a gaivota em cada espreguiçar e partas para a Índia em cada cacilheiro e que sejas, mores, vivas e creias longe muito longe daqui...
quero que sejas profundamente minha e ritual obsessiva e lúcida, doente, febril, tremendo de desejo disposta a tudo e a mais e a muito mais, boca de Mundo, seios de Mármore, corpo de Alfazema e sobretudo Mulher e sobretudo amante. Se existires assim, nua, inteira, absoluta e pessoal responde-me que eu fico aqui, eterno, à tua espera."
"Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não tem as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas."
(Clarice Lispector)
Eu sonho, tu sonhas.... sonhamos?
Deixei de ser que era para me transformar naquilo que sou. Obrigada.
"Talvez seja tão simples, tolo e natural que você nunca tenha parado para pensar: Aprendam a fazer bonito o seu amor. Ou fazer o seu amor ser ou ficar bonito. Aprenda, apenas, a tão difícil arte de amar bonito. Gostar é tão fácil que ninguém aceita aprender... Tenho visto muito amor por aí.
Amores:
bravios,
gigantescos,
profundos,
sinceros,
cheios de entrega, doacção e dádiva. Mas esbarram na dificuldade de se tornar bonitos. Apenas isso:
bonitos,
belos ou embelezados,
tratados com carinho,
cuidado e atenção. Amores levados com arte e ternura de mãos jardineiras.
Entretanto,
esses amores que são verdadeiros e eternos,
de repente,
ficam ameaçados e tão somente porque não sabem ser bonitos:
cobram,
exigem,
rotinizam,
descuidam,
reclamam,
deixam de compreender,
necessitam mais do que oferecem,
precisam mais do que atendem,
enchem-se de razões. Sim, de razões.
Ter razão é o maior perigo no amor. Quem tem razão sente-se no direito de reivindicar,
de exigir justiça,
equidade,
sem atinar que o que está sem razão talvez passe por um momento de sua vida no qual não possa ter razão.
Nem queira!!!
Ter razão é um perigo: em geral, enfeia um amor, pois é invocado com justiça, mas na hora errada.
Amar bonito é saber a hora de ter razão. Ponha a mão na consciência.
Você tem certeza de que está fazendo o seu amor bonito?
De que está tirando do gesto,
da acção,
da reacção,
do olhar,
da saudade,
da alegria,
do encontro,
da dor,
do desencontro,
a maior beleza possível?
Talvez não.
Cheio ou cheia de razões, você separa do amor apenas aquilo que é exigido pelas partes necessitadas,
quando talvez dele devesse pouco esperar,
para valorizar melhor tudo de bom que, de vez em quando ele pode trazer.
Quem espera mais do que isso sofre e, sofrendo, deixa de amar bonito. Sofrendo, deixa de ser alegre, igual, irmão, criança.
E, sem soltar a criança, nenhum amor é bonito. Não tema o romantismo. Derrube as barreiras da opinião alheia.
Faça coroas de margaridas e enfeite a cabeça de quem você ama.
Saia cantando e olhe alegre.
Recomenda-se: ficar envergonhada/o, ser apanhada/o em flagrante gostando, não se cansar de olhar e olhar, não atrapalhar a convivência com teorizações, adiar sempre se possível com beijos 'aquela conversa importante que precisamos ter', arquivar, se possível, as reclamações pela pouca atenção recebida.
Para quem ama, toda atenção é sempre pouca. Quem ama feio não sabe que pouca atenção pode ser toda a atenção possível. Quem ama bonito não gasta tempo dessa atenção cobrando a que deixou de ter.
Não teorize sobre o amor (deixe isso para nós, pobres escritores que vemos a vida como criança de nariz encostado na vitrine cheia de brinquedos dos nossos sonhos); não teorize sobre o amor, AME!
Siga o destino dos sentimentos aqui e agora.
Não tenha medo exactamente de tudo o que você teme, como:
a sinceridade,
abrir o coração,
contar a verdade do tamanho do amor que sente;
não dar certo e depois vir a sofrer (sofrerá de qualquer jeito).
Deite fora todas as jogadas,
estratégias,
golpes,
espertezas,
atitudes sabiamente eficazes (não é sábio ser sabido):
seja apenas você no auge de sua emoção e carência, exactamente aquele que a vida impede de ser.
Seja você cantando desafinado, mas todas as manhãs.
Dizendo disparates, mas criando sempre. Sentindo o coração bater como no tempo do Natal infantil.
Revivendo os caminhos que percorreu em criança. Sem medo de dizer eu quero, eu estou com vontade.
Deixe o seu amor ser a mais verdadeira expressão de tudo que você é. Se o amor existe, seu conteúdo já é manifesto. Não se preocupe mais com ele e suas definições.
Cuide agora da forma do amor:
Cuide da voz.
Cuide da fala.
Cuide do cuidado.
Cuide de você.
Ame-se o suficiente para ser capaz de gostar do amor e só assim poder começar a tentar fazer o outro feliz."
49. a juíza das minhas loucuras é severa demais pra me inocentar
não cobra depoimentos nem sopra os ferimentos da tortura
simplesmente decreta pra minha culpa prisão domiciliar
54. me recuso a dar informações sobre o paradeiro das minhas idéias malditas elas se escondem bem demais
só eu sei o caminho só eu seiem quem dói mais
108. acho que não sou daqui paro em sinal vermelho observo os prazos de validade bato na porta antes de entrar sei ler, escrever digo obrigado, com licença telefono se digo que vou ligar renovo o passaporte não engano no troco até aí tudo bem
mas não sou daqui também porque não gosto de samba de carnaval, de chimarrão prefiro tênis ao futebol não sou querida, me atrevo a cometer duas vezes o mesmo erro não sou de turma a cerveja me enjoa prefiro o inverno e não me entrego sem recibo
187. silêncio, estou escrevendo e não sei se destas palavras sairá como mágica um poema uma reportagem ou um recado não sei em que se transformará este grupo de sujeitos e advérbios que buscam aqui reunidos decifrar todos os meus medos silêncio, estou me escutando e quem fala são meus dedos
213. não gosto de barcos nem nada que flutue devagar me faz falta uma esquina uma rua para atravessar uma escada, uma curva em frente uma pista, um sinal de trânsito me faz falta direção constante um trilho, uma ponte, um meio de chegar barcos ficam à deriva e eu nunca afundo no mesmo lugar
218. tristeza é quando chove quando está calor demais quando o corpo dói e os olhos pesam tristeza é quando se dorme pouco quando a voz sai fraca quando as palavras cessam e o corpo desobedece tristeza é quando não se acha graça quando não se sente fome quando qualquer bobagem nos faz chorar tristeza é quando parece que não vai acabar
220. minha bisavó reclamava que minha avó era muito tímida minha avó pressionou minha mãe a ser menos cética minha mãe me educou para ser bem lúcida e eu espero que minhas filhas fujam desse cárcere que é passar a vida transferindo dívidas
234. simplificar não exagerar os sentimentos arriscar não seguir os mandamentos vivenciar não mitificar os pensamentos assimilar não condecorar os ferimentos reinventar não copiar aos sete ventos amamentar não aprisionar os seus rebentos
uma mulher adulta só conhece bons momentos
235. de mim, que tanto falam quero que reste o que calei que tanto rezam por mim quero que fique o que pequei de mim, que tanto sabem quero que saibam que não sei